domingo, 2 de dezembro de 2012

Aos Ex- alunos do Brigadeiro

Estou publicando o texto que criei no Face - Grupo dos EX-alunos do Brigadeiro para dizer da minha alegria e aproveito neste dominio fazer umas pequenas correções ortográficas. O poema de Pessoa foi publicado neste blog pela minha irmã em Colaboradores e retrata como eu era com as minhas idéias de ter amigos...

Aos ex-alunos do Brigadeiro falo das minhas satisfações de reencontra-los e participar deste grupo. Também quero salientar que estou tentando lembrar de como eram no passado de estudantes, já que alguns não foram da minha intimidade, e literalmente fomos colegas de "uniforme". Que para mim é uma grande honra ter vestido aquela calça, ainda de tecido tipo Nycron ou Tropical, esta quente que nem os trópicos; e uma blusa de popeline de cor caqui, alguns alunos mais antigo usam o escudo de metal, mas eu só peguei o bordado em tecido. Agora o charme era entrar para o cientifico, só para usar as estrelinhas de metal nas ombreiras e ganhar prestigios com as meninas. Outro diferencial era personalidade de cada um de nós, um colégio que misturava classes sociais antagonicas, mas de um espirito democrático intenso. Diferenças só no comportamento, uns muito baderneiros e outros mais centrados. Eu circulava nesse meio sem distinção. Estava mas para aprontar e menos para ser num aluno exemplar. Hoje costumo dizer que sou um maluco no trilho, pois a necessidade profissional me trouxe muita disciplina e organização.


O que muito me agradou nesses encontros, foi ouvir dos mais intimos é que não mudei nada, o que é ótimo. Quero agradecer a oportunidade do convivio fisico e agora este virtual, deixo publicado um poema de Fernando Pessoa para aqueles que não tiveram a oportunidade de me rever e/ou não me conheram em tempos de aluno....

Meus amigos ....


Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,
Mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

sábado, 1 de dezembro de 2012

INSPIRAÇÃO

Recebo este poema de Lourdes Schurr e com muito gosto publico em meu blogger para perpetuar uma amizade que espero sempre renovar pela troca de prosas e flertes inspiradores.


Oi, amigo!

Lembrei deste poema q escrevi no ginásio:
Lourdes Schurr - Setembro de 1969


INSPIRAÇÃO
Algo quero escrever
E espero-te inspiração.
Penso em falar da vida, do amor, do sofrer,
Mas não sei como começar.
Não sei do que falo,
Se da realidade ou do sonho.
Começo a pensar nos meus conhecidos
Mas não tenho o que contar.
Fico a procurar-te
E não sei onde estás.
Não sei se te escondes
Numa flor ou numa dor.
Quem és? Não sei;
Sé sei que poucos te encontram,
Muitos te procuram
E alguns morrem sem te conhecer.
De que grupo sou não sei,
Mas mesmo assim continuo a escrever.
Escrevo o meu pensar,
A minha esperança de ser poeta
E o mundo ver com olhos que a ele dão beleza.
Por que, oh inspiração,
Não vens ter comigo
Que tudo dou e nada peço?
Vem q as portas de meu coração
Sempre estarão abertas para ti
E meu sonho é estares junto a mim..





segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Aos Mestres, o meu carinho.


Aos Mestres, o meu carinho e tudo mais de bom!

Quinze do outubro, um dia como outro qualquer no calendário, já passei por sessenta datas dessas. Tudo tão igual como as águas dos oceanos, que nas praias vão e vêm, ora calmas ora agitadas. Nos dia de hoje, tudo está em turbilhão, mas mesmo assim acordo com uma lembrança familiar. Dia dos Mestres! Data de abraçar a professorinha, lá do “be a ba” aos mestres da universidade,  saudades da professora Georgete da Escola Pública Irmã Zélia lá no Rio de Janeiro, ainda Distrito Federal, Capital da República Federativa do Brasil. Lá se vão os bons tempos, escola com merenda, dentistas, inspeção de higiene e uniforme até caixa escolar – recurso financeiro doado pelos pais de alunos mais aquinhoado para ajudar no uniforme e no material escolar dos mais necessitados, escola democrática... Cantávamos enfileirados os hinos históricos da nossa nação.
Meu ajudante de tarefas do quintal, Dinho, aluno especial da Pestallozzi de Jacaraípe, chegou cedinho, dizendo que era Dia do Fessor! Ele fala com dificuldade, devido seu atraso mental, não foi à escola, feriado escolar. Tive que sair e não dei muita atenção a ele.
Mas fiquei matutando enquanto dirigia, refletindo sobre a situação das escolas, dos alunos e também dos professores nos dias atuais. Que danação! Não queria estar na pele dessas três instituições tão importantes para uma civilização.
Antigamente, esta data representava a adoração a uma classe dedicada ao ensinamento e a formação do caráter dos alunos em qualquer nível do ensino, público ou privado. Professor era aquele que ao aluno não era muito simpático, Mestre, sim, o professor adorado, o iluminado que sabia tudo e ainda entendia os alunos. Porém nenhum deles gostava dessa expressão.
O tempo foi passando, as escolas deteriorando, o aluno deixando de seguir uma disciplina escolar, por conseguinte, uma pessoa mal formada, em maioria das vezes. O mestre deixou de existir, professor virou tio, tia, e hoje é “PRO” ou ma melhor das hipóteses “FESSOR(A)”. O aluno, um coitado, quando tem família, sem família um mau caráter, salvando raras exceções!
As instituições de ensino, com seus alunos, como a sociedade de um modo geral estão falidas.
É preciso ter força... É preciso ter garra para atuar como professor e também para ser bom aluno. No meio desses, proliferam àqueles que denigrem e depreciam a função sacerdotal do professor e praticam agressões àqueles que buscam no ensino a formação do caráter e do ser profissional, que, um dia, por paixão e esquecimento do passado, cursará uma escola para seguir a carreira de professor!
A esses, minha estima! A minha lembrança da Professora Palmira, que aos oitenta anos ainda ensinava canto orfeônico no ginásio, ao professor Barbosa, um mulato que se formou em professor de música aos cinqüenta e quatro anos de idade e comia a sua marmitinha no intervalo, dizia ele que a sua saúde não o deixava almoçar o “PF” do botequim ao lado do colégio, mas acho que a grana é que era curta!
E a todos, inclusive, àquele, que no período mais duro da ditadura militar, chamado “anos de chumbo” enquanto eu cursava a faculdade de Comunicação Social, dedurava-nos ao serviço de informação do governo imposto. Este? Sim, porque, indiretamente, me ensinou a escolher pela liberdade de expressão, pela democracia, de meus atos respeitosos com relação aos demais, coisa que ele não respeitava ao ponto de eu optar pela transferência para a Universidade Gama Filho. Nesta época convivi com vários artifícios da censura federal, pois trabalhava em empresas jornalísticas e radiodifusão. E não me permiti fazer concurso público para Censor Federal, já que com a conclusão da Universidade estava habilitado para tal. Censura nunca mais!
Alunos de hoje, não os invejo. Nesta data, se aluno fosse, encararia o dia como um feriado, dia de vagabundear, ficar a toa, deixar os livros de lado, esquecer aquela figura chata do professor.
Mas como sou das antigas! Aos Mestres, com carinho; aos professores, mais carinho ainda; a Professora Georgete, que hoje se viva, já passou dos oitenta, minhas desculpas e meu choro de alegria por existir em minha vida.
Agora... Àqueles que cursam o mestrado junto com a graduação, porque tem grana e pressa na formação, meu total desprezo!
Ser mestre é concorrer coma vida, buscar experiências para transformar em ensinamentos e formar cidadãos. Ser mestre é ser regente de uma turma inquieta, curiosa e esporrenta com se dizia na minha época de aluno.  Porém, ser abraçados por todos e lembrado a cada quinze de outubro.
Dário Omanguin
15/Out/2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Fazem quase 5 meses que não faço uma postagem no blog, estou querendo criar outro blog no WordPress, segundo o JP Cuencas o modelo no WordPress atende melhor as minhas idéias de construí-lo na forma de revista com já havia citado. Contudo tenho que aprofundar meus conhecimentos neste software, o que não está fácil, anda meio arredio aos estudos e não consigo me prender por muito tempo a frente do computador. Em breve pode ser que eu venha transferir meu blog para o WordPress e quem sabe, surja alguém para me ajudar. No momento ando muito devagar com o ESCREVER, mas postei uma carta para o meu amigo JP Cuencas no Facebook e estarei divulgando-a aqui para vocês conhecerem um pouco do meu tempo de jovem na ditadura. Também estou postando duas poesias, uma fiz para minha filhada Ana Paula que também postei no Facebook, logo que adicionou-me e a outra construída hoje a tarde, meio a um vazio....



Resto de mim mesmo
Hoje sou puro sentimento
Tenho chorado silenciosamente
De saudade, de ações de cuidados
Das alegrias por feitos maravilhosos
Não sei, mas há um vazio
Transformando meu estado
Vivo refletindo sobre passado
Temeroso do futuro
Entretanto no presente
Nem penso, sigo adiante
Muitas vezes com os olhos lacrimejantes
O marejo dos meus olhos embaçados
Não me permite enxergar o hoje
Tudo está adiante, com um futuro incerto
Todo passado, em registro, é saudoso
Contudo não me entrego
Na certeza que minhas dores são mínimas
Olhando ao redor vejo situações piores
Contento-me, mas fico alarmado
Por que será esta agonia
Pergunto-me, mas a resposta não vem
Resta-me ser resto de mim mesmo.

Dário Omanguin
17/08/2012



Hoje, em 31/07/2011, pesquisando o Facebook achei o perfil da minha afilhada Ana Paula, fique muito contente e fiz um registro no seu mural com o texto abaixo, espero que ela receba com carinho a minha expressão de afeto.

Minha afilhada
O tempo passou
Poucas são as lembranças
Mas ficou a imagem de você criança
Memórias da menina sapeca também ficaram.

Mas não a vi crescer, sem fotos recentes
E nem msm para palavras de carinho
Contudo na minha mesa de trabalho
Em um porta-retrato, tenho você bêbê.

Lembrança singela do seu um aninho
Foi uma forma de tê-la por perto
Com demonstração de afeto e carinho.
Do seu padrinho, pode ser mentirinha
Então, vou comprovar com o versinho,
Que estampado na foto, passo a limpo

" Com apenas um aninho
vejam como sou fofinha.
Mas esperem um pouquinho
pra ver quando eu for mocinha"
Ana Paula – 06/09/1986

Dário Omanguin
31/07/2011


Que conselho eu me daria a trinta anos?
Hoje, 29 de julho de 2012, começo fazer um ensaio com as palavras, juntando letras, para colocar as idéias no papel e relatar uns fatos corriqueiros. No dia 17 deste mês estive almoçando no Leblon com  amigos Juan Cuencas e João Paulo, seu filho.
Alguns dias atrás já vinham com esse pensamento, isso porque, durante o almoço, João Paulo nos fez a seguinte pergunta “Qual conselho nós daríamos a nós mesmo há trinta anos”. Achei a pergunta sem nexo já que não a entendi, mas o João nos explicou que estava fazendo um trabalho com esse teor. Todavia, não respondemos, pois almoço de amigos as conversas se entrelaçam e mudamos de assunto a cada palavra proferida.
Abro este parêntese, para dar um sentido ao texto que pretendo escrever, O mais engraçado é que fiquei matutando a pergunta do João Paulo e me projetei para os anos 80 e percebi que já era um homem casado e pai de filho em processo de separação. O Brasil encarava o mundo com uma moratória, a política estava uma merda... A morte de Trancredo Neves colocou um dos mentores da ditadura na presidência da república do Brasil e a história registra os anos oitenta como a “Década Perdida”.
De posse desses dados, comecei a repensar como eu poderia “ me dar conselhos” há trinta anos.  Com uma estória tão ruim, achei melhor avançar no túnel do tempo e pisar em terra dos anos setenta, maravilha de idéia, ano “mui rico” como diria meus amigos argentinos.
Com esse pensamento firmado, mas não ainda havia me postado frente ao meu computador para iniciar este texto. Quando, hoje, vejo no Facebook, postado ontem pelo Juan Cuencas um recorte do Jornal O Globo contando feitos dele em 1973. Deu-se, então, uma fusão perfeita com as minhas idéias de escrever sobre o tema abordado pelo João Paulo.
Tenho saudades da década de setenta, o mundo transcorria com grandes transformações em todos os campos, era a afirmação da ditadura no Brasil, mas essa forma de governo deu consciência a vários brasileiros e todos os movimentos culturais foram sedimentados e valores humanos foram elevados como resistências políticas. Alguns redutos nos grandes centros ficaram marcados.
A plebe promovia encontros boêmios nas noites da contra cultura e beber para protestar o “establishiment”, reconhecido poder dos norte-americanos na política da época.
Eu estudava e trabalhava na extinta TV Tupi. Fiz pré-vestibular no Curso Status e em julho de 1972 ingressava na Faculdade de Comunicação Social Hélio Alonso, na Praia de Botafogo, onde convivi com muitos alunos, moradores da zona sul, e freqüentava a noite carioca.
O Teatro Opinião era reduto de resistência com seus shows antológicos, os botecos da Rua Siqueira Campos, o mais famoso era a Adega Perola, e o Restaurante Acapulco no Av. Atlântica, reduto de artista em inicio de carreira, existia também os bares da calçada do Cinema Ópera na Praia de Botafogo. Fora outros que não os cito para não cometer maiores omissões, a Lapa era centro de malandros e cabarés, só veio emergir na década de 90.
Tudo isso é um filme que me passa pela cabeça. Lendo o “post” do Juan no Facebook tudo me leva a crer - o conselho que eu daria a mim se eu estivesse há quarenta anos, “com certeza conversaria com o Deus que reside em meu coração  e pediria que me deixasse ser eterno na década de 70”. 
Apesar da truculência, dos engarrafamentos causados pelas obras do Metrô, tudo mais de ruim que poderia existir, os meus vinte e poucos anos foram sublimes e o Brasil teve seu período mais fértil, culturalmente falando.
Amigo Juan, eu agradeço pela dica neste insight, JP será que respondo a sua pergunta?


Dário Omanguin
29/Jul/2012

terça-feira, 27 de março de 2012

O tempo passou rápido, virei sexy...sagenário!

Estou de volta meio preguiçoso, a internet na "roça" é a tração animal e a mula está manca, fiquei fora do ar um bom tempo e computador parece uma carroça, acabo desistindo de atualizar meu Blogg. Criei um texto para falar do meu aniversário de sessenta anos e acabei fazendo um relato dos anos vividos e os que estão por vir, usei uma linguagem irônica pois não dá para ser sério quando o idoso não é tratado com seriedade, mas também eu não me levo a sério. Tô me achando "lindio" e em forma apesar das patologias adquiridas pelo tempo...


Agradecimentos, fazer aniversário é muito bom! Mas....

Aos amigos quero agradecer pelas mensagens de felicitações e dizer que “ fazer aniversário é algo fascinante mesmo sem bolo e a companhia de vocês. Com isso quero afirmar que a gente cresce doido para fazer aniversário.
Quando éramos pequenos, ainda de calças curtas, ficávamos aflitos para assoprar as sete velinhas do bolo de aniversário, mesmo sendo aquele feito um tijolinho chamado de “Bolo Plus Vita”, sabíamos que estaríamos indo estudar numa escola pública, muito legal!
Passado essa euforia, o negócio era fazer quatorze anos, primeira namorada, entrar no ginásio, ou seja, ficar homenzinho, vestir calça comprida, sair com amigos, cinema... O máximo da liberdade!
Mais aí... Havia outros programas, coisa de adolescentes crescidinhos, filmes impróprios para menores de dezoito anos. A vontade era falsificar a idade para burlar o porteiro do cinema e das Domingueiras... Fazer dezoito anos excitava a mente e os membros inferiores, contudo a cabeça não pensava numa lógica correta, queríamos mais liberdade, já não bastava aquela da pré-adolescência...
Mas dezoitos anos de vida requeriam maiores responsabilidades, nos estudos, nas relações com a família, muitas vezes era necessário trabalhar para complementar a “mesada” que era curta e não dava para fugas com a namorada... Não havia nessa época a necessidade de uma CNH, pois carro era sonho de menino riquinho...
Dezoito anos feitos, muitas coisas deixávamos de relatar aos nossos pais, que tal uma ida a “zona, ou melhor, dizendo Casa da Tia Irene”, cinema, bailes, chegadas em casa de madrugada, dormidas foras... Mas a tal da liberdade com responsabilidade empurrávamos para o vestibular, entrar na faculdade antes dos vinte anos! Se formar com vinte quatro anos era uma corrida maluca contra o tempo, que não nos deixavam pensar numa profissão de nível médio...
Enfim fazer vinte e um anos era a tal da liberdade com realismo, poder morar sozinho, fora do país, tudo de bom!!! Ficar adultos perante a lei...
É chegada a hora de aplicar conhecimentos, trabalhar com objetivos profissionais e galgar postos na sociedade... Aí percebemos que começamos a envelhecer!!!
É preciso casar e constituir família, ter filhos, adotados ou gerados, é necessário ter um lar, por mais humilde que seja, reclamamos tratamento digno pelas autoridades constituídas...
Nossos cabelos começam esbranquiçar. Mil preocupações, as mesmas que os nossos pais tiveram conosco, sentimentos de impotência perante as necessidades dos nossos rebentos. Esse período se alonga por muito tempo, que nem lembramos mais dos nossos aniversários. Tudo porque não queremos envelhecer, mesmo sabemos que estamos perdendo neurônios e ficando calvos... Quase aos cinqüenta!!!
Entretanto a realidade passa ser outra, em frente ao espelho, encolhendo a barriga, esticando a pele da face, regozijamos os feitos durantes anos e pensamos altos, ou melhor, conversamos com espelho dizendo “ainda tô inteirinho”. Mas não é o que dizem as vizinhas faladeiras!!!
Chegou o dia comemorar os cinqüenta anos! Pensamos fazer festa dos cinqüenta por quê? Sinto-me com quinze anos, o tempo de vida dos brasileiros aumentou, pela média acho que aquela festa “black tie” só aos sessenta! Vou comemorar meus “cinquentinha” com os amigos num bar, vou viver a vida como um garotão!!! Como dizia Lulu Santos – “Há tanta vida lá fora”. Lá vamos para a tal “bebemoração”... Na volta uma puta dor de cabeça, as pernas já não obedecem a injeção de cerveja goela abaixo, em casa só aporrinhação com a Dona Patroa! É tempo de juras... Beber nunca mais... Tudo dá boca para fora!
Como esta prosa é para falarmos de comemoração do meu aniversário, dos cinqüenta para os sessenta é um pulo só. Só que de consultório médico em consultório médico!
Novos Tempos...
Sair de casa para quê? Tudo está muito violento, ninguém respeita nada, transporte urbano não está adaptado as necessidades de uma pessoa com mais idade. Logo, penso estou ficando idoso, mas ainda não assumimos a terceira idade. Portanto, damos ainda uma escapulida e apreciamos os traseiros das menininhas quarentonas que andam fagueiras e dando bola só para garotões tipo “GoGo Boys”.
O tempo é cruel... Começamos a pensar no Estatuto dos Idosos, é necessário conhecer a lei para usufruir de seus benefícios, afinal das contas sessenta anos é o inicio de uma velhice premeditada, porém mal preparada por muitos. A única certeza é que seremos desapreciados pela sociedade que ajudamos a construir e esquecemos quando éramos jovens que um dia seriamos anciãos.
Após sessenta anos, já idosos e apoiados pelo estatuto, só nos resta pensar que ao entrarmos num coletivo de transporte urbano teremos um assento garantido. Ledo engano, os “busuns” recém projetados só contam com três assentos para idosos, os quais são disputados por deficientes físicos e mulheres grávidas. Que na realidade estão ocupados por desavisados que fingem dormir ou por jovens estudantes mal educados.
O melhor aniversário é o dos sessenta e cinco anos, aposentadoria compulsória, por data de validade do individuo vencida, quer coisa melhor? Aí nós não temos o que fazer mesmo, temos a garantia da lei, que é “pseuda”, o negócio é sair de casa!
Não entro mais em fila, penso com os meus botões, esquecendo que a população envelheceu e os jovens estão morrendo na guerra do tráfico, nas ruas pilotando motos e enchendo a cara e batendo com seus automóveis!
Ainda bem que fui menino pobre e comprei meu primeiro automóvel aos vinte quatro anos e com meu salário. Valorizei meu carro que na época era chamado de patrimônio, bem valioso. Mesmo assim sofri e cometi alguns impropérios na direção.
Hoje essa preferência para idoso é negócio da China. É fria! E é de fila mesmo e das grandes! Tem empresa contratando idosos para “BOY” que na verdade deveria chamar-se “OLD” porque não pagam passagem e não entram em fila de banco e não param em vitrines.
Para confirmarem o que digo, reparem as filas nos caixas dos bancos. Vocês verão muitos idosos com montes de boletos com valores altos e o coitado, aparentemente mal vestidos e com cara de sofridos, pagando conta dos ricaços...
Visto por outro anglo, a velhice é um prêmio, não morrendo cedo, temos a oportunidade de apreciarmos as mudanças ocorridas na sociedade dos humanos, muitas tecnologias que nos confundem, nos angustiam, pois sabemos que umas crianças de três anos as dominam com a maior tranqüilidade... Na contrapartida, sofremos com a deterioração dos valores dessa sociedade e coma destruição dos biomas a que pertencemos.
Então, que prêmio é esse? Viver para ver invenções, presenciar destruições? Mas morrer para quê?
Seguindo esses conceitos, estou pensando em adquirir um estatuto do idoso para conhecer melhor todos os meus direitos e brigar por eles quando minha data de validade tiver vencida. Nessa data me entregarei ao ócio. Estarei presente nas filas, que não serão as dos bancos, mas as do SUS. Implorando por tratamento digno de uma pessoa que trabalhou por quase cinqüenta anos, contribuiu com o engrandecimento da nação e com a riqueza de políticos corruptos, os quais sem fazerem concurso público se intitulam Servidores Públicos. Esquecem que são pessoas comuns consentidas pela população para organizarem a sociedade para o bem de todos.
Portanto, me faltam somente cinco anos para essa nova etapa da minha vida, por enquanto vou agradecendo aos tecnólogos da informática pela invenção da Internet, meio pelo qual estarei unido a vocês meus amigos internautas – “Chic né”, um idoso falando assim? Agradecendo pela paciência de vocês por terem lido e chegarem ao final deste texto.
Desculpem-me pela pretensão de ser futurista, pois sou Aquariano e Dragão no horóscopo chinês, e ainda me pergunto “morrer para quê? Se não sei o que tem do outro lado.”


Dário Omanguin
Serra - ES, 18/02/2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Aniversário da minha filha Carol

Estou de volta, apesar de uma gota de tristeza, mas com orgulho elevado, atualizo o meu Blog para registrar o aniversário da minha filha Ana Carolina que amanhã, 31 de Janeiro, completa dezessete anos. Como cresceu, está muito bonita. Dedico uma prosa para que esta data não passe em branco, já que não posso estar ao seu lado. Escrevo para aliviar meu coração e deixar registrado um amor de pai, que mesmo na adversidade e na ausência carrega um estigma pela distância que dificulta o entendimento e o envolvimento cotidiano de pai e filhos. Muita energia positiva para que minha menina em época de transformações consiga realizar seus sonhos!!!





Tempos distantes

Anos passados
Vidas vividas
Entre amores, idas e vindas.
O tempo passa, rapidamente.
Quando olhamos pra trás.
Vemos o vulto e o silvo do vento.
Que levanta a poeira,
Encobrindo a verdade,
Sugerindo segurar a saia
Pra não mostrar o que queremos exibir.
Mãos espalmadas, repelindo a sanha
Do movimento deste inocente sopro de vento.

Passados todos estes anos
Ficamos mais distantes,
Talvez levado pelo vento
Que neste tempo, sopra forte
Deixando-nos ao relento
Desprovidos de conforto
Sem ambição da aproximação
Viajamos opostos no mundo da ilusão
Mas deixa estar. Que não falta lembrança
De você criança...
Agora pré- adulta, me falta você
Que espero um dia obter sua confiança.

Não demora, pois me falta pouco tempo!
Por vezes, tento no meu intimo construir uma ponte
Que me leve a uma conexão, uma aproximação.
Contudo, penso e penso... E deixo fluir!
Pensamentos libertários me fazem ver
Que a sua jovialidade permite reações
Até escolha que diferem das minhas
Entretanto não tenho escolha,
Vivo na esperança,  de um dia
Tê-la pelas mãos e dizer:  
- “Filha, eu não pertenço ao seu cotidiano
Mas você é parte da minha vida”.
  
Dário Omanguin
30/Jan/2012