terça-feira, 27 de março de 2012

O tempo passou rápido, virei sexy...sagenário!

Estou de volta meio preguiçoso, a internet na "roça" é a tração animal e a mula está manca, fiquei fora do ar um bom tempo e computador parece uma carroça, acabo desistindo de atualizar meu Blogg. Criei um texto para falar do meu aniversário de sessenta anos e acabei fazendo um relato dos anos vividos e os que estão por vir, usei uma linguagem irônica pois não dá para ser sério quando o idoso não é tratado com seriedade, mas também eu não me levo a sério. Tô me achando "lindio" e em forma apesar das patologias adquiridas pelo tempo...


Agradecimentos, fazer aniversário é muito bom! Mas....

Aos amigos quero agradecer pelas mensagens de felicitações e dizer que “ fazer aniversário é algo fascinante mesmo sem bolo e a companhia de vocês. Com isso quero afirmar que a gente cresce doido para fazer aniversário.
Quando éramos pequenos, ainda de calças curtas, ficávamos aflitos para assoprar as sete velinhas do bolo de aniversário, mesmo sendo aquele feito um tijolinho chamado de “Bolo Plus Vita”, sabíamos que estaríamos indo estudar numa escola pública, muito legal!
Passado essa euforia, o negócio era fazer quatorze anos, primeira namorada, entrar no ginásio, ou seja, ficar homenzinho, vestir calça comprida, sair com amigos, cinema... O máximo da liberdade!
Mais aí... Havia outros programas, coisa de adolescentes crescidinhos, filmes impróprios para menores de dezoito anos. A vontade era falsificar a idade para burlar o porteiro do cinema e das Domingueiras... Fazer dezoito anos excitava a mente e os membros inferiores, contudo a cabeça não pensava numa lógica correta, queríamos mais liberdade, já não bastava aquela da pré-adolescência...
Mas dezoitos anos de vida requeriam maiores responsabilidades, nos estudos, nas relações com a família, muitas vezes era necessário trabalhar para complementar a “mesada” que era curta e não dava para fugas com a namorada... Não havia nessa época a necessidade de uma CNH, pois carro era sonho de menino riquinho...
Dezoito anos feitos, muitas coisas deixávamos de relatar aos nossos pais, que tal uma ida a “zona, ou melhor, dizendo Casa da Tia Irene”, cinema, bailes, chegadas em casa de madrugada, dormidas foras... Mas a tal da liberdade com responsabilidade empurrávamos para o vestibular, entrar na faculdade antes dos vinte anos! Se formar com vinte quatro anos era uma corrida maluca contra o tempo, que não nos deixavam pensar numa profissão de nível médio...
Enfim fazer vinte e um anos era a tal da liberdade com realismo, poder morar sozinho, fora do país, tudo de bom!!! Ficar adultos perante a lei...
É chegada a hora de aplicar conhecimentos, trabalhar com objetivos profissionais e galgar postos na sociedade... Aí percebemos que começamos a envelhecer!!!
É preciso casar e constituir família, ter filhos, adotados ou gerados, é necessário ter um lar, por mais humilde que seja, reclamamos tratamento digno pelas autoridades constituídas...
Nossos cabelos começam esbranquiçar. Mil preocupações, as mesmas que os nossos pais tiveram conosco, sentimentos de impotência perante as necessidades dos nossos rebentos. Esse período se alonga por muito tempo, que nem lembramos mais dos nossos aniversários. Tudo porque não queremos envelhecer, mesmo sabemos que estamos perdendo neurônios e ficando calvos... Quase aos cinqüenta!!!
Entretanto a realidade passa ser outra, em frente ao espelho, encolhendo a barriga, esticando a pele da face, regozijamos os feitos durantes anos e pensamos altos, ou melhor, conversamos com espelho dizendo “ainda tô inteirinho”. Mas não é o que dizem as vizinhas faladeiras!!!
Chegou o dia comemorar os cinqüenta anos! Pensamos fazer festa dos cinqüenta por quê? Sinto-me com quinze anos, o tempo de vida dos brasileiros aumentou, pela média acho que aquela festa “black tie” só aos sessenta! Vou comemorar meus “cinquentinha” com os amigos num bar, vou viver a vida como um garotão!!! Como dizia Lulu Santos – “Há tanta vida lá fora”. Lá vamos para a tal “bebemoração”... Na volta uma puta dor de cabeça, as pernas já não obedecem a injeção de cerveja goela abaixo, em casa só aporrinhação com a Dona Patroa! É tempo de juras... Beber nunca mais... Tudo dá boca para fora!
Como esta prosa é para falarmos de comemoração do meu aniversário, dos cinqüenta para os sessenta é um pulo só. Só que de consultório médico em consultório médico!
Novos Tempos...
Sair de casa para quê? Tudo está muito violento, ninguém respeita nada, transporte urbano não está adaptado as necessidades de uma pessoa com mais idade. Logo, penso estou ficando idoso, mas ainda não assumimos a terceira idade. Portanto, damos ainda uma escapulida e apreciamos os traseiros das menininhas quarentonas que andam fagueiras e dando bola só para garotões tipo “GoGo Boys”.
O tempo é cruel... Começamos a pensar no Estatuto dos Idosos, é necessário conhecer a lei para usufruir de seus benefícios, afinal das contas sessenta anos é o inicio de uma velhice premeditada, porém mal preparada por muitos. A única certeza é que seremos desapreciados pela sociedade que ajudamos a construir e esquecemos quando éramos jovens que um dia seriamos anciãos.
Após sessenta anos, já idosos e apoiados pelo estatuto, só nos resta pensar que ao entrarmos num coletivo de transporte urbano teremos um assento garantido. Ledo engano, os “busuns” recém projetados só contam com três assentos para idosos, os quais são disputados por deficientes físicos e mulheres grávidas. Que na realidade estão ocupados por desavisados que fingem dormir ou por jovens estudantes mal educados.
O melhor aniversário é o dos sessenta e cinco anos, aposentadoria compulsória, por data de validade do individuo vencida, quer coisa melhor? Aí nós não temos o que fazer mesmo, temos a garantia da lei, que é “pseuda”, o negócio é sair de casa!
Não entro mais em fila, penso com os meus botões, esquecendo que a população envelheceu e os jovens estão morrendo na guerra do tráfico, nas ruas pilotando motos e enchendo a cara e batendo com seus automóveis!
Ainda bem que fui menino pobre e comprei meu primeiro automóvel aos vinte quatro anos e com meu salário. Valorizei meu carro que na época era chamado de patrimônio, bem valioso. Mesmo assim sofri e cometi alguns impropérios na direção.
Hoje essa preferência para idoso é negócio da China. É fria! E é de fila mesmo e das grandes! Tem empresa contratando idosos para “BOY” que na verdade deveria chamar-se “OLD” porque não pagam passagem e não entram em fila de banco e não param em vitrines.
Para confirmarem o que digo, reparem as filas nos caixas dos bancos. Vocês verão muitos idosos com montes de boletos com valores altos e o coitado, aparentemente mal vestidos e com cara de sofridos, pagando conta dos ricaços...
Visto por outro anglo, a velhice é um prêmio, não morrendo cedo, temos a oportunidade de apreciarmos as mudanças ocorridas na sociedade dos humanos, muitas tecnologias que nos confundem, nos angustiam, pois sabemos que umas crianças de três anos as dominam com a maior tranqüilidade... Na contrapartida, sofremos com a deterioração dos valores dessa sociedade e coma destruição dos biomas a que pertencemos.
Então, que prêmio é esse? Viver para ver invenções, presenciar destruições? Mas morrer para quê?
Seguindo esses conceitos, estou pensando em adquirir um estatuto do idoso para conhecer melhor todos os meus direitos e brigar por eles quando minha data de validade tiver vencida. Nessa data me entregarei ao ócio. Estarei presente nas filas, que não serão as dos bancos, mas as do SUS. Implorando por tratamento digno de uma pessoa que trabalhou por quase cinqüenta anos, contribuiu com o engrandecimento da nação e com a riqueza de políticos corruptos, os quais sem fazerem concurso público se intitulam Servidores Públicos. Esquecem que são pessoas comuns consentidas pela população para organizarem a sociedade para o bem de todos.
Portanto, me faltam somente cinco anos para essa nova etapa da minha vida, por enquanto vou agradecendo aos tecnólogos da informática pela invenção da Internet, meio pelo qual estarei unido a vocês meus amigos internautas – “Chic né”, um idoso falando assim? Agradecendo pela paciência de vocês por terem lido e chegarem ao final deste texto.
Desculpem-me pela pretensão de ser futurista, pois sou Aquariano e Dragão no horóscopo chinês, e ainda me pergunto “morrer para quê? Se não sei o que tem do outro lado.”


Dário Omanguin
Serra - ES, 18/02/2012

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