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de Março de 1964, uma data que modificou a minha mente, modificou a minha juventude. Após esta data me fez ficar mais atento na rua após o anoitecer. Tive muito medo de desaparecer na
escuridão. O camburão da 4ª Subseção, negro, descia o Alto da Boa Vista e
terrorizava a Estrada dos Bandeirantes. Não haviam jovens e nem adultos nas esquinas dos subúrbios distantes do centro da discussão política da época. Mais de dois nas
esquinas, era reunião da subversão, mesmo sendo e estando alheios a tudo.
Não
havia clemência!
Pela demência de golpistas, pela saída simbólica de Goulart da
presidência. Pela traição de Raniere Mazzilli, na presidência do Congresso
Nacional.
Fomos,
os jovens da época, colocado na entressafra da democracia. Tudo se tornou
propriedade da Ditadura, o ensino, a cultura, o lazer, até a saúde foi subjugada
pela nova situação política orquestrada desde a renúncia de Jânio Quadros.
Americanos, “ghost-writers”,
deste samba enredo não perderam tempo, já que haviam fracassados na invasão da
Baía dos Porcos em Cuba, tomaram de
assalto com a aquiescência de empresários em geral e, também, da imprensa deste
Brasil promissor.
Hoje, cinquenta anos depois,
minha mente também, se modifica, este corpo não mais jovem, também, sofre.
Motivos... os mesmos.
Temos uma ditadura econômica
que mantém os filhos da nação longe da escola pública de valor, da cultura, do
lazer, da saúde e, muito pior, torna todos os brasileiros, consciente de uma
corrupção generalizada, um STF composto de atores que não são eleitos e nem
compartilham com os anseios da população.
Enfim, ano de eleição, pré
candidato de expressão, tem seu partido “proibido de existir”. Como fizeram com
Lacerda, com JK, mais uma vez, valem-se de artigos constitucionais para modificarem os destinos
e desejos de eleitores.
Tudo por tudo, pelo tempo
passado, pelos anos vividos, não tenho medo mais do Camburão da 4ª Subseção.
Hoje tenho medo, sim, da
escuridão. Esta em que se encontra a maioria da população, sem medo reagir pela
falta da boa educação, pela falta consciência política.
O Cardápio de 2015, com Lula
a mesa, será indigesto, será a perpetuação de um sonho “Collorido”, no qual PC
Farias, previa e perseguia um mandato de 20 anos e 1 bilhão de dólares na conta
bancária. Sonho que virou pesadelo pela rara coragem de Teresa, uma das mais lindas
mulheres das Alagoas de Teotônio Vilela, aquele que defendeu os metalúrgicos de
Lula no estádio de futebol do município de São Bernardo do Campo dos militares, estes, pronto para um massacre.
Tenho minhas dúvidas se o cenário,
lá armado, não foi para promover o sindicalista Lula. Militar ditatorial não tinha
mãe e nem escrúpulo, ia ter pena de metalúrgico – Vide o livro sobre a
biografia de Teotônio Vilela escrito por Marcio Moreira Alves.
Hoje é uma data para não ser
esquecida... Tem que ser divulgada, contada nas esquinas e um paralelo traçado
com a vida do Filho do Brasil. Poupado pela Ditadura dos Militares, sobreviveu a passagens em prisões, o que muitos não resistiram e sucumbiram em calabouços.
O filho do Brasil copiou o
modelo de PC Faria, bilionário, comanda uma nação com auxílio das mesmas
pessoas que estiveram no ápice da política com os militares.
Portanto, meu medo não tem
cura!