domingo, 31 de março de 2013

Páscoa Chuvosa



Já  chorei como filho

Chorei como pai

Ainda choro como neto

Choro como irmão

Chorei como genro

Sigo chorando como amigo

Já chorei por filhos emprestados

Como também como avô

Chorei como marido,

E um pouco como amante.

Tive choros por traição e por ter traído

Choro pelos primos...

Desta ausência tenho chorado bastante

Pelos afilhados derramei lágrimas de saudade

Choro sempre pela alegria que me vem ao coração

Muitas das vezes tive os olhos marejados

Pelos fatos, pelas adversidades da natureza

Pelas perversidades da sociedade

Mas o quê me faz mais chorar é ver outros chorarem

Da alegria, do sucesso e também das mazelas

No entanto, no dia de hoje

Onde o sol saiu pequeno

Só para permitir que as crianças buscassem em seus jardins

O encanto dos ovos de chocolate, coloridos e saborosos.

Logo o dia se tornou chuvoso e o tom cinza desceu do firmamento

Penso com meus botões:

"A chuva fina é as lágrimas do céu,

pelos que não tiveram seus ovos de páscoa e
muito menos, a alegria da presença dos queridos."

Então choro, não de angústia ou tristeza,

Mas pelo traçado do meu destino

que eu mesmo desenhei, até aos dias de hoje.

A ausência de confeitos da páscoa não me faz chorar

Pois a solidão é minha amiga, caminho ao seu lado.

Nela ou com ela, penso, coloco em ordem a minha vida.

O que digo ecoa na falta de alguém para desejar boa páscoa.

Todavia, uso da tecnologia para fluir o sentimento desta data

Então, àqueles ligados pela internet, digo:

"Que os coelhinhos da páscoa sejam a alegria do meu choro". 

Dário Omanguin
31/Março/2013