Morre
aos 67 anos o ator José Wilker, Conheci-o numa mesa de bar... Fazem 42 anos. Saindo
do cinema Ópera na praia de Botafogo, onde hoje está a Casa e Vídeo, saía da
Faculdade de Comunicação – FACHA para ir ao cinema e, na maioria das vezes era para
beber "uns chopps" na mesa do bar. Tempos da contracultura, do “underground”, de
movimentos culturais contra a ditadura. “Papo cabeça” em noites estreladas,
pelos astros físicos e por cabeças maravilhosas como a cabeça de ex-aluno de
sociologia da PUC, curso abandonado e trocado pelo teatro, como o Wilker foi...
Meses
antes ele entrara na TV Globo, e eu na TV Tupi, ele atuando na Novela de Dias
Gomes, Bandeira 2, no personagem Zelito, filho do Bicheiro Turcão, vivido pelo
grande Paulo Gracindo. E, eu, na TV era desenhista. Não fizemos amizades, papo
rápido, em comum só tínhamos os cabelos compridos e uma bolsa “tira a colo”.
A minha eu mesmo fiz, eu era artesão e trabalhava com couro. A longo dos tempos
o Wilker, se tornou, esse artista maravilhoso, atuando, escrevendo ou dirigindo, foi mestre
na arte.
Segui
minha vida. Cheguei trabalhar para a TV Globo, convidado pelo Diretor de Artes
e artista plástico paulista, Ciro Del Nero, que faleceu em 2013. Como arte
finalista, auxiliei-o num empreendimento do Markenting da TV Globo para vender
a Novela Selva de Pedra para o México, e, ainda, trabalhamos junto na
cenografia para Regina Duarte, com apresentação no Canecão em 1972 e neste
mesmo ano trabalhamos o brinde de final de ano para a Globo. Ciro Del Nero foi
Diretor de Artes na extinta TV Tupi. Uma Perda pela sua expressividade na
cultura e na história das artes. Assim como José Wilker, duas estrelas no
céu... Com certeza!
Traço
este paralelo com vida do Wilker pelas nossas origens humildes e pela luta. Através
do estudo e de critérios profissionais galgamos patamares superiores. Dele, nem
preciso, falar, basta lembrar do personagem Mundinho Falcão em
"Gabriela".
Em
janeiro de 1996, como consultor em gestão empresarial, cheguei, novamente, na
TV Globo, desta vez, fui para o PROJAC, através de um contrato pela IT – Cia
Internacional de Tecnologia, para organizar e documentar os processos da
“fabrica de novelas”. Ali, convivi com vários atores, mas não fazia tietagem e
o relacionamento profissional exigia-me ser reservado. Algumas vezes, no
restaurante do Projac, via o José Wilker, e me lembrava daquela figura de
cabelos ralos e cumprido que eu havia conhecido na mesa de um bar.
Haviam
se passado uns 25 anos, ele no auge do estrelato e eu, inaugurando uma nova
fase da minha vida profissional, havia saltado mais um degrau. Contratado com
Consultor, mas eu me sentia ainda uma Analista de Organização e Métodos Senior,
como até gosto de me apresentar. Não gosto deste estrelismo na minha profissão.
Mas o estrelato de Wilker foi mérito da sua capacidade e técnica profissional.
Continuarei
nesta escalada profissional, enquanto uma estrela sob aos céus.
Homenageio-o,
relembrando uma frase da música de Cassiano e cantada por Tim Maia – "Primavera
(Vai Chuva)", onde ele diz “ Hoje o céu está tão lindo”!
Dário Omanguin
06/04/2014 –
20:41