quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Drumond - Minha inspiração


Estou publicando neste blog, o texto que escrevi em homenagem a Drumond de Andrade para enunciar a página  do site que estou elaborando para publicar poesias cujo nome Caderno B é uma demonstração de carinho ao nosso finado JB - Jornal do Brasil e também com todo respeito e gratidão pelos ensinamentos ao Mestre Jornalista Alberto Dines.
Caso queiram dar o prazer de uma visita e colaborar na construção deste site que ainda não está finalizado, acesse o seguinte endereço:

"As vezes fico preguiçoso para escrever e na abertura desta página "Caderno B - Poesias", na qual depositarei todo o meu sentimento, ora de forma romântica ora constrangido e sofrido pelas mazelas de uma sociedade injusta, ou talvez por um amor não correspondido, perco as palavras para transcrever aqui toda essa agonia e ou quiçá alegria de bons momentos vividos.
Aquilo que poderia ser um epitáfio, pois achei que morreria de vergonha ao ter um poema, meu, publicado. Entretanto, fã que sou Carlos Drumond de Andrade, faço minha algumas palavras dele para dar valor e sentido poético a este ato de coragem e pretensioso de minha parte - talvez leviano e utópico!"

Não me leias se buscas
flamante novidade
ou sopro de Camões.
Aquilo que revelo
e o mais que segue oculto
em vítreos alçapões
são notícias humanas,
simples estar-no-mundo,
e brincos de palavra,
um não-estar-estando
mas de tal jeito urdidos
o jogo e a confissão
que nem distingo eu mesmo
o vivido e o inventado.
Tudo vivido? Nada.
Nada vivido? Nada.
A orelha pouco explica
de cuidados terrenos
e a poesia mais rica
é um sinal de menos.

Poema de Drumond, publicado na orelha do livro Poemas - 1959 

Oração da Fé


Seguia eu pela Av. Mém de Sá, sentido Praça Cruz Vermelha - Rio de Janeiro...caminhava pensativo tentando por ordem nos meus pensamentos. Acabara de almoçar com meu filho, minha nora e meu neto - almoço longo para por a conversa em dia! Estivera em um "Ristorante" italiano, em um shopping da Tijuca. Como de costume, abusei nas massas e refrigerantes. Após o almoço, peguei uma carona com meu filho até a Rua Haddock Lobo, próximo ao Clube Municipal.
Era janeiro de 2011, semana que antecedia os festejos tradicionais da Igreja dos Capuchinhos em homenagem a São Sebastião - padroeiro da Cidade Maravilhosa. Aquilo mexeu com a minha mente, meu passado de menino veio a tona, senti alegria e tristeza ao mesmo tempo; pois ali em frente a igreja havia barraquinhas tipicas das quermesses católica.
Tenho nítidas recordações da nossa infância no casarão da mesma rua onde moravam nossos tios e primos e frenquentemente brincávamos nessa igreja e também participávamos das procissões em festejos ao nosso padroeiro. Vaguei entre as barraquinhas buscando encontrar um rosto amigo do passado. Ora... só uma mente fértil para crer que ali, após meio século de vida, poderia estar um ente querido.
Aí veio a tristeza... saí literalmente "chutando balde" como se fala no Rio de Janeiro. Angustiado resolvi caminhar até a Lapa para encontrar uma amiga para matar a saudade do chopp carioca e da boêmia dos malandros pós-modernos. Cruzei a Rua Salvador de Sá - passei pela porta do ex-presídio Frei Caneca, admirei a arquitetura do Sambódromo, os sobradões antigos...Veio-me a lembrança da minha vó Julieta, da Paula do Salgueiro - mulata que sambava equilibrando uma lata d'água na cabeça, minha referência de Salgueirense, desde menino, com muita honra que sou! Pois o Carnaval antigo era ali - Praça Onze querida e no Catumbi morava minha vó e meus pais nos levavam para ver a arrumação das escola de samba nas imediações.


A essa altura, quem lê este texto se pergunta: - O quê tudo isso tem haver com a fé?


POIS EU DIGO " A FÉ TEM MUITO HAVER COM O NOSSO INTERIOR, COM A ESTRUTURA DE AMOR QUE CONSTRUÍMOS DURANTE TODA A NOSSA PASSAGEM NESTE MUNDO, MUNDO DE CRIATURAS E ESCRITURAS, só quem ama seu próximo e a si próprio é capaz de construir o presente e o futuro com base nas experiências vividas. E são as recordações que motivam o seguir a diante.


Então fui em frente, segui a diante o meu caminho com destino a Lapa, dobrei a direita na Rua do Riachuelo, comovido pelas lembranças. O celular toca, era Márcia Maria Peixoto, me cobrando presença na mesa do bar "Arco-Íris da Lavradio - Lapa". Entretanto, quase chegando a Praça Cruz Vermelha, fui abordado por um senhor, não era tão idoso, mas a cabeça totalmente encanecida, com dificuldade de fala devido a péssima respiração, e dificuldade no andar. Percebi em mim a necessidade de dar atenção àquele senhor.


Não entrarei em detalhes da conversa, mesmo porque a principio foi meio sem nexo. Sem sentido também estava eu - contudo dei ouvidos as suas citações, fiquei perplexo me inteirando da sua necessidade de falar com alguém. Durante o encontro fui analisando o tipo da pessoa, suas vestes, que eram social mas meio suja, logo se via que era uma pessoa que sofria de "abandono social", fora uma coriza insistente que o obrigava a soar o nariz constantemente em lenços de papel. Juro que queria sair daquela situação, mas algo me prendia naquele "papo". Sempre solicito e educado me mostrei receptor de suas falas... Quando derrepentemente o assunto se voltou para a lado carismático da fé em Cristo... isto me deixou mais curioso e absorto, devido a fragilidade que se encontrava o meu coração saudoso.


Tentei, mesmo atencioso ao assunto, dizer que eu estava indo para um compromisso e não poderia me alongar na conversa.


Então o senhor retirou do bolso da calça social, meio surrada e um tanto suja, uma folha de papel branco tamanho A4, dobrado e quatro partes, desdobrou-o com dificuldade, pois tinha as mãos tremulas, assou novamente o nariz com o que restava de um lenço de papel, reutilizado várias vezes. Balbuciou algumas palavras e leu a escritura

"ORAÇÃO DA FÉ"

SENHOR DEUS, CRIADOR DO CÉU E DA TERRA!
PODEROSO É O VOSSO NOME, GRANDE É A VOSSA MISERICÓRDIA!
EM NOME DE VOSSO FILHO, JESUS CRISTO, RECORRO A VÓS, NESTE MOMENTO, PARA PEDIR BÊNÇÃOS PARA MINHA VIDA. QUE VOSSA DIVINA LUZ INCIDA SOBRE MIM.
COM VOSSAS MÃOS RETIRAI TODO O MAL, AO MEU REDOR. QUE AS FORÇAS NEGATIVAS QUE ME ABATEM E ME ENTRISTECEM SE DESFAÇAM AO SOPRO DA VOSSA BENÇÃO.
QUE O VOSSO PODER DESTRUA TODAS AS BARREIRAS QUE IMPEDEM O MEU PROGRESSO. E DO CÉU, VOSSAS VIRTUDES PENETREM NO MEU SER, DANDO PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.
ABRA, SENHOR, OS MEUS CAMINHOS . QUE MEUS PASSOS SEJAM DIRIGIDOS POR VÓS PARA QUE EU NÃO TROPECE NA CAMINHADA DA VIDA.
QUE MEU VIVER, MEU LAR E MEU TRABALHO SEJAM ABENÇOADOS. ENTREGO-ME EM VOSSAS MÃOS PODEROSAS NA CERTEZA DE QUE TUDO VOU ALCANÇAR.
AGRADEÇO EM NOME DO PAI, DO FILHO E DO ESPIRITO SANTO.
AMÉM.

Devido a sua dificuldade na leitura, releu o texto da oração e ainda me fez ler, também, o que fiz, confesso emocionado.

O telefone celular tocou novamente, era Márcia reclamando a minha ausência!

Pedi desculpas ao senhor, agradecendo pela oração feita, cuja cópia em papel ela havia me dado. Cumprimentei-o com muito respeito e carinho e me dirigi ao encontro com a turma da Márcia.
Atravessei o calçamento da Praça Cruz Vermelha, olhando para os paralelepípedos, como estivesse  contando-os. Passos lentos e os olhos marejados.

Mas logo me refiz, veio em minha mente a lembrança da minha mãe, senti uma vontade grande de contar este fato para ela... o que fiz no dia seguinte quando acordei.
Peito aliviado fui matar a saudade dos amigos no bar Arco Íris da Lavradio. O encontro com os amigos é outra estória. depois eu conto para vocês.

Nota do autor
O texto da oração é translado fiel da cópia em papel que até hoje fica exposto na minha escrivaninha aqui em casa. Caso a ortografia esteja incorreta, não se preocupem - me foi dado com a graça de DEUS, aquele em que eu acredito!