Após a pouca chuva fina matinal recebi uma visita, há muito esperada, foi durante a meu café. Os Guaxos voltaram para a minha alegria e surpresa. Também, pudera, tamanha está sendo a devastação da vegetação local. Ouvi o canto dos Guaxos a distância, hoje os vejo a minha frente, desinibidos e alvissareiros.
Momento lúdico e me fez correr e pegar o lápis e papel e recorrer a necessidade de registrar este fato. Então aqui vai a minha crônica do dia, se é assim que posso definir a forma minha necessidade de escrever.
Visita dos Guaxos.
Hoje
pela primeira vez, nesta primavera, vejo os Guaxos. Vieram alimentar-se no meu
quintal.
Semana
passada, ouvi seu canto, mas não os vi. Somente os Bem-te-vis fazem sua festa,
são os donos do pedaço. Afugentam os Guaxos.
Como
na poesia Bem-te-vis, na qual cantei em prosa a alvissareira farra. Tanto,
deles os Guaxos, quantos os Bem-te-vis, na disputa de suas sementes. Quanto a
mim, estou todo prosa em deixar este celeiro para eles.
É
por volta das sete e trinta da manhã, lá estão eles, novamente na árvore, a
qual não sei o nome, que mantive, embora na linha do muro.
Do
café amargo, muito açúcar, nocivo a saúde, à beleza de ver os pássaros tomando
o seu café saudável, literalmente comigo.
Meu
coração, também amargo pela solidão, que muitas das vezes não consigo
administrar, mas a suporto. Me deleito por esta bela ação da natureza.
Se
tenho um coração solitário e sofrido é porque me deram sensibilidade a altura
para compreender esta paisagem e nela ver quão é belo e pueril a imagem que
adentra em meu coração. Menos mal!
Pássaros
e vegetação, o espetáculo da floração do meu pé de Pitanga Preta, planta nativa
da região.
Tudo
isso, vejo que ao longo da minha existência, serei testemunho da destruição pelo
homem braçal. Terei muito que me esforçar para falar para os meus netos e
bisnetos como foi a existência deste mundo natural. Esta história terá que ser
contada no “modo virtual”.
Não
sei se resistirei a tudo isso, talvez eu padeça antes!
Mas
fico na obrigação de fazer de fazer o registro e declarar a minha opção:
“Prefiro
os pássaros soltos, voando, se alimentando no meu quintal, do que ver a sua
extinção pelo homem em detrimento da construção de uma sociedade insaciável.”
Dário Omanguin
07/Nov/2014