quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dia "D" - Dia da Vitória


DIA “D”
Dia “D”- “D” de Dario Farias, meu velho pai, mas esbanjando saúde e que no dia 20 deste mês completa 87anos, recebeu mais uma condecoração por ter participado da Segunda Grande Guerra Mundial. Estive junto com ele, minha mãe e minha irmã Rosângela para presenciar este ato.
Sendo hoje 8 de maio, dia em que se comemora a rendição dos alemães e seus aliados, as Nações Vitoriosas, Estados Unidos da América do Norte, Inglaterra, França e Brasil, comemoram o Dia da Vitória, um dia especial para a democracia em todo mundo, e não menos para nós e também para as famílias que estavam presente a grandiosa solenidade promovida pelo Ministério da Defesa e Presidência da República.
Quero, aqui demonstrar meu apreço por todos aqueles que estiveram no “front” como combatentes e também aqueles que guarneceram a costa brasileira, cujos ataques de alemães vitimaram civis e militares.
Também quero ressaltar o bravo trabalho de jornalistas, correspondentes de guerra, em especial o Sabiá da Crônica Brasileira, Rubem Braga, cujo centenário de nascimento transcorre este ano.  Digo com carinho e apreço, Rubem Braga entre fevereiro de 1944 e abril de 1945 escreveu para o jornal Diário Carioca, que tinha como tema central a Segunda Guerra, seus efeitos no Brasil (então sob o jugo da ditadura do Estado Novo) e a participação dos soldados brasileiros nos combates na Itália. Esses textos são divididos em duas fases: os produzidos entre fevereiro e junho de 1944, quando o Sabiá manteve a coluna Ordem do Dia (grande parte desses textos é inédita em livro), e os feitos na Itália, quando o escritor atua como correspondente de guerra junto à Força Expedicionária Brasileira, esses escritos deram origem ao livro Com a FEB na Itália. Sugiro aos meus amigos que acessem o endereço abaixo para conhecerem o trabalho dele e também curtirem a exposição realizada no Palácio Anchieta, atual Sede do Governo do Estado do Espírito Santo, lindo trabalho e inovador com recursos de áudio visual simples, mas de grande impacto.
https://www.google.com/search?hl=pt-BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1366&bih=667&q= Centenário+de+Rubem+Braga&oq=Centenário+de+Rubem+Braga&gs_l
Voltando ao 8 de maio de 2013, Posso dizer que não aprovo a beligerância como forma de negociação para atingir objetivos democráticos, contudo cabe ressaltar que em especial, meu pai foi um bravo, não no sentido de ter ido a guerra, mas pelo fato de muito ter lutado para sair da miséria instalada do nordeste brasileiro. Onde se era retirante ou se minguava na terra seca, mesmo aqueles que moravam nas capitais sofriam pelas condições impostas pelo governos sulistas. Não diferente para meu pai, aí abro um parêntese e sito seu irmão, tio Fernando.
Os dois ingressaram na Marinha de Guerra, meu pai por ser de menor e voluntário, teve problemas com a pouca idade e baixa estatura! Meu pai conseguiu entra na Escola de Marinheiros  do Ceará no ano de 1944 com 17 anos e depois de pular muita corda para crescer cinco centímetros, pois  a sua baixa estatura havia barrado no ano anterior. Vou deixar esta história para outra ocasião, fiz menção só para ressaltar a sua persistência para sobreviver e entrar na Marinha de Guerra.
Hoje o vi perfilado, junto a tantos outros brasileiros, uns mais velhos que ele, até doentes, cadeirantes pela senilidade, mas todos garbosos, exibindo vestígios de bravura e no peito sua medalhas, ávidos pela condecoração de hoje.
Presente todas as armas brasileiras: - Exército, Aeronáutica e sua Divisões recepcionadas pela Marinha de Guerra. Solenidade de apresentação de pavilhões e corporações, sob acordes de hinos executados pelas bandas marciais e salvas de tiros de canhão.
E meu velho pai, lá presente, identificado pelo número 028, marca no chão para a costumeira disciplina militar na entrega da condecoração pelos oficiais graduados e pelo Ministro da Defesa Celso Amorim; cabe lembrar que na Escola de Marinheiros, meu pai era o 38, e ele “canta” este número até hoje, Por ser o segundo melhor aluno até a conclusão do curso de formação de marinheiros, até a sua passagem para a Reserva Remunerada como Primeiro Tenente, após 2 anos de guerra e mais uns vinte como condutor de navios.
Não vou me estender na sua biografia, pois nunca me sentei com meu pai para levantar dados que me subsidiasse para tal, escrevi o que ele comenta com a gente e amigos, espero que você pai com sua memória viva, possa um dia contar sua história de vida para que sirva lição e esperança para todos os filhos desta nação.
Saí desta solenidade consciente que todos nós somos bravos, uns porque foram a luta na Grande Guerra e outros porque enfrentam seus dramas e vão luta em busca da vitória sem perder a esperança e a delicadeza, que o hino Nacional é o mais lindo do mundo, que minha memória não apagará jamais as imagens hoje vistas e que meus olhos continuarão marejados ao ouvir o Hino Nacional em solenidades cívicas.
Meu coração, meu velho pai, minha mãe, meus irmãos, foi muito casual esta oportunidade, outra dessa não sei, meu coração... Ah meu coração!

Nota: Parte do texto sobre Rubens Braga foi extraído da tese de mestrado:
Titulação: Mestre em Teoria e História Literária
Título: A desordem dos dias : Rubem Braga e a Segunda Guerra
Autor: Ricardo Luis Meirelles dos Santos
UNICAMP – 24/04/2003

Dário Omanguin
08/05/2013