DIA “D”
Dia “D”- “D” de
Dario Farias, meu velho pai, mas esbanjando saúde e que no dia 20 deste mês
completa 87anos, recebeu mais uma condecoração por ter participado da Segunda
Grande Guerra Mundial. Estive junto com ele, minha mãe e minha irmã Rosângela
para presenciar este ato.
Sendo hoje 8 de
maio, dia em que se comemora a rendição dos alemães e seus aliados, as Nações
Vitoriosas, Estados Unidos da América do Norte, Inglaterra, França e Brasil,
comemoram o Dia da Vitória, um dia especial para a democracia em todo mundo, e
não menos para nós e também para as famílias que estavam presente a grandiosa
solenidade promovida pelo Ministério da Defesa e Presidência da República.
Quero, aqui
demonstrar meu apreço por todos aqueles que estiveram no “front” como combatentes
e também aqueles que guarneceram a costa brasileira, cujos ataques de alemães
vitimaram civis e militares.
Também quero
ressaltar o bravo trabalho de jornalistas, correspondentes de guerra, em
especial o Sabiá da Crônica Brasileira, Rubem Braga, cujo centenário de
nascimento transcorre este ano. Digo com
carinho e apreço, Rubem Braga entre fevereiro de 1944 e abril de 1945 escreveu para
o jornal Diário Carioca, que tinha como tema central a Segunda Guerra, seus
efeitos no Brasil (então sob o jugo da ditadura do Estado Novo) e a
participação dos soldados brasileiros nos combates na Itália. Esses textos são
divididos em duas fases: os produzidos entre fevereiro e junho de 1944, quando o
Sabiá manteve a coluna Ordem do Dia (grande parte desses textos é inédita em
livro), e os feitos na Itália, quando o escritor atua como correspondente de
guerra junto à Força Expedicionária Brasileira, esses escritos deram origem ao
livro Com a FEB na Itália. Sugiro
aos meus amigos que acessem o endereço abaixo para conhecerem o trabalho dele e
também curtirem a exposição realizada no Palácio Anchieta, atual Sede do
Governo do Estado do Espírito Santo, lindo trabalho e inovador com recursos de
áudio visual simples, mas de grande impacto.
https://www.google.com/search?hl=pt-BR&site=imghp&tbm=isch&source=hp&biw=1366&bih=667&q=
Centenário+de+Rubem+Braga&oq=Centenário+de+Rubem+Braga&gs_l
Voltando ao 8
de maio de 2013, Posso dizer que não aprovo a beligerância como forma de
negociação para atingir objetivos democráticos, contudo cabe ressaltar que em
especial, meu pai foi um bravo, não no sentido de ter ido a guerra, mas pelo
fato de muito ter lutado para sair da miséria instalada do nordeste brasileiro.
Onde se era retirante ou se minguava na terra seca, mesmo aqueles que moravam
nas capitais sofriam pelas condições impostas pelo governos sulistas. Não
diferente para meu pai, aí abro um parêntese e sito seu irmão, tio Fernando.
Os dois
ingressaram na Marinha de Guerra, meu pai por ser de menor e voluntário, teve
problemas com a pouca idade e baixa estatura! Meu pai conseguiu entra na Escola
de Marinheiros do Ceará no ano de 1944
com 17 anos e depois de pular muita corda para crescer cinco centímetros,
pois a sua baixa estatura havia barrado
no ano anterior. Vou deixar esta história para outra ocasião, fiz menção só para
ressaltar a sua persistência para sobreviver e entrar na Marinha de Guerra.
Hoje o vi
perfilado, junto a tantos outros brasileiros, uns mais velhos que ele, até
doentes, cadeirantes pela senilidade, mas todos garbosos, exibindo vestígios de
bravura e no peito sua medalhas, ávidos pela condecoração de hoje.
Presente todas
as armas brasileiras: - Exército, Aeronáutica e sua Divisões recepcionadas pela
Marinha de Guerra. Solenidade de apresentação de pavilhões e corporações, sob
acordes de hinos executados pelas bandas marciais e salvas de tiros de canhão.
E meu velho
pai, lá presente, identificado pelo número 028, marca no chão para a costumeira
disciplina militar na entrega da condecoração pelos oficiais graduados e pelo
Ministro da Defesa Celso Amorim; cabe lembrar que na Escola de Marinheiros, meu
pai era o 38, e ele “canta” este número até hoje, Por ser o segundo melhor
aluno até a conclusão do curso de formação de marinheiros, até a sua passagem
para a Reserva Remunerada como Primeiro Tenente, após 2 anos de guerra e mais
uns vinte como condutor de navios.
Não vou me
estender na sua biografia, pois nunca me sentei com meu pai para levantar dados
que me subsidiasse para tal, escrevi o que ele comenta com a gente e amigos,
espero que você pai com sua memória viva, possa um dia contar sua história de
vida para que sirva lição e esperança para todos os filhos desta nação.
Saí desta
solenidade consciente que todos nós somos bravos, uns porque foram a luta na
Grande Guerra e outros porque enfrentam seus dramas e vão luta em busca da
vitória sem perder a esperança e a delicadeza, que o hino Nacional é o mais
lindo do mundo, que minha memória não apagará jamais as imagens hoje vistas e
que meus olhos continuarão marejados ao ouvir o Hino Nacional em solenidades
cívicas.
Meu coração,
meu velho pai, minha mãe, meus irmãos, foi muito casual esta oportunidade,
outra dessa não sei, meu coração... Ah meu coração!
Nota: Parte
do texto sobre Rubens Braga foi extraído da tese de mestrado:
Titulação: Mestre
em Teoria e História Literária
Título: A
desordem dos dias : Rubem Braga e a Segunda Guerra
Autor: Ricardo Luis Meirelles dos Santos
Autor: Ricardo Luis Meirelles dos Santos
UNICAMP – 24/04/2003
Dário Omanguin
08/05/2013




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