domingo, 13 de março de 2011

Concretos

Acho muito interessante a construção de poesias chamadas concretas, tenho a impressão que o valor simétrico se perde na intensidade do valor da mensagem que o poeta quer levar adiante e também com o desprendimento com as regras estabelecidas pelos gramáticos. O poeta brinca "seriamente" com as palavras, construindo sentidos que mexe com sentimentos, com a ironia. Ora hilários, ora ácidos e por muitas vezes românticos.
Construí algumas poesias concretas e trago este para vocês.


Esperar,

A espera.
Há esperança.

A esfera.
Há como rolar o tempo.

A demagogia.
Afirmar que a esperança é a última que morre!

A letargia.
Com o passar dos tempos tudo se ajeita!


Dário Omanguin
19/05/2009

POEMAS

POESIA LIVRE

Minha poesia não tem rima
E nem métrica, porém tem muita intensidade.
Pela busca das palavras simples...
Na ânsia de cantar o meu pranto.

Meu canto não gorjeia e também não é mudo.
Silencioso escrevo linhas de agonia.
Remeto-me ao inconsciente, de passados de alegria.
Para registro do presente, sem conforto, há falta de tudo.

Meu mundo se restringe aos pensamentos!
Do longe trago tua lembrança para construir um lago
Não de cisnes, mas de cismas, no qual nado em lodo.
Sem respostas para o sofrimento desses momentos.

Agonizo pela ausência das mãos amigas
Dos carinhos, ausentes pelo destino.
Só boas lembranças não me confortam!
Preciso ter o teu ser, ouvir da tua boca um hino.

O canto de alguém, próximo, amante.
Que me conduz como uma estrela guia
Que me leva a um lugar sublime.
Que me faça valer com maestria.

O ser que sou não merece esta agonia.
Luto, morro, mas cresço para dizer-te “tudo bem”.
Não quero parecer que padeço neste vai e vem.
A vida segue ligeira com uma ventania.

Perante ao meu reflexo, digo a mim mesmo,
“Sede forte e encare a verdade
a solidão não tem preço e nem serventia
aproveite teus ensaios na poesia
para registrar essa dura realidade
desse mundo mesquinho e de pouco aconchego.”

Dario Omanguin
Ago/2010