sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Fazem quase 5 meses que não faço uma postagem no blog, estou querendo criar outro blog no WordPress, segundo o JP Cuencas o modelo no WordPress atende melhor as minhas idéias de construí-lo na forma de revista com já havia citado. Contudo tenho que aprofundar meus conhecimentos neste software, o que não está fácil, anda meio arredio aos estudos e não consigo me prender por muito tempo a frente do computador. Em breve pode ser que eu venha transferir meu blog para o WordPress e quem sabe, surja alguém para me ajudar. No momento ando muito devagar com o ESCREVER, mas postei uma carta para o meu amigo JP Cuencas no Facebook e estarei divulgando-a aqui para vocês conhecerem um pouco do meu tempo de jovem na ditadura. Também estou postando duas poesias, uma fiz para minha filhada Ana Paula que também postei no Facebook, logo que adicionou-me e a outra construída hoje a tarde, meio a um vazio....



Resto de mim mesmo
Hoje sou puro sentimento
Tenho chorado silenciosamente
De saudade, de ações de cuidados
Das alegrias por feitos maravilhosos
Não sei, mas há um vazio
Transformando meu estado
Vivo refletindo sobre passado
Temeroso do futuro
Entretanto no presente
Nem penso, sigo adiante
Muitas vezes com os olhos lacrimejantes
O marejo dos meus olhos embaçados
Não me permite enxergar o hoje
Tudo está adiante, com um futuro incerto
Todo passado, em registro, é saudoso
Contudo não me entrego
Na certeza que minhas dores são mínimas
Olhando ao redor vejo situações piores
Contento-me, mas fico alarmado
Por que será esta agonia
Pergunto-me, mas a resposta não vem
Resta-me ser resto de mim mesmo.

Dário Omanguin
17/08/2012



Hoje, em 31/07/2011, pesquisando o Facebook achei o perfil da minha afilhada Ana Paula, fique muito contente e fiz um registro no seu mural com o texto abaixo, espero que ela receba com carinho a minha expressão de afeto.

Minha afilhada
O tempo passou
Poucas são as lembranças
Mas ficou a imagem de você criança
Memórias da menina sapeca também ficaram.

Mas não a vi crescer, sem fotos recentes
E nem msm para palavras de carinho
Contudo na minha mesa de trabalho
Em um porta-retrato, tenho você bêbê.

Lembrança singela do seu um aninho
Foi uma forma de tê-la por perto
Com demonstração de afeto e carinho.
Do seu padrinho, pode ser mentirinha
Então, vou comprovar com o versinho,
Que estampado na foto, passo a limpo

" Com apenas um aninho
vejam como sou fofinha.
Mas esperem um pouquinho
pra ver quando eu for mocinha"
Ana Paula – 06/09/1986

Dário Omanguin
31/07/2011


Que conselho eu me daria a trinta anos?
Hoje, 29 de julho de 2012, começo fazer um ensaio com as palavras, juntando letras, para colocar as idéias no papel e relatar uns fatos corriqueiros. No dia 17 deste mês estive almoçando no Leblon com  amigos Juan Cuencas e João Paulo, seu filho.
Alguns dias atrás já vinham com esse pensamento, isso porque, durante o almoço, João Paulo nos fez a seguinte pergunta “Qual conselho nós daríamos a nós mesmo há trinta anos”. Achei a pergunta sem nexo já que não a entendi, mas o João nos explicou que estava fazendo um trabalho com esse teor. Todavia, não respondemos, pois almoço de amigos as conversas se entrelaçam e mudamos de assunto a cada palavra proferida.
Abro este parêntese, para dar um sentido ao texto que pretendo escrever, O mais engraçado é que fiquei matutando a pergunta do João Paulo e me projetei para os anos 80 e percebi que já era um homem casado e pai de filho em processo de separação. O Brasil encarava o mundo com uma moratória, a política estava uma merda... A morte de Trancredo Neves colocou um dos mentores da ditadura na presidência da república do Brasil e a história registra os anos oitenta como a “Década Perdida”.
De posse desses dados, comecei a repensar como eu poderia “ me dar conselhos” há trinta anos.  Com uma estória tão ruim, achei melhor avançar no túnel do tempo e pisar em terra dos anos setenta, maravilha de idéia, ano “mui rico” como diria meus amigos argentinos.
Com esse pensamento firmado, mas não ainda havia me postado frente ao meu computador para iniciar este texto. Quando, hoje, vejo no Facebook, postado ontem pelo Juan Cuencas um recorte do Jornal O Globo contando feitos dele em 1973. Deu-se, então, uma fusão perfeita com as minhas idéias de escrever sobre o tema abordado pelo João Paulo.
Tenho saudades da década de setenta, o mundo transcorria com grandes transformações em todos os campos, era a afirmação da ditadura no Brasil, mas essa forma de governo deu consciência a vários brasileiros e todos os movimentos culturais foram sedimentados e valores humanos foram elevados como resistências políticas. Alguns redutos nos grandes centros ficaram marcados.
A plebe promovia encontros boêmios nas noites da contra cultura e beber para protestar o “establishiment”, reconhecido poder dos norte-americanos na política da época.
Eu estudava e trabalhava na extinta TV Tupi. Fiz pré-vestibular no Curso Status e em julho de 1972 ingressava na Faculdade de Comunicação Social Hélio Alonso, na Praia de Botafogo, onde convivi com muitos alunos, moradores da zona sul, e freqüentava a noite carioca.
O Teatro Opinião era reduto de resistência com seus shows antológicos, os botecos da Rua Siqueira Campos, o mais famoso era a Adega Perola, e o Restaurante Acapulco no Av. Atlântica, reduto de artista em inicio de carreira, existia também os bares da calçada do Cinema Ópera na Praia de Botafogo. Fora outros que não os cito para não cometer maiores omissões, a Lapa era centro de malandros e cabarés, só veio emergir na década de 90.
Tudo isso é um filme que me passa pela cabeça. Lendo o “post” do Juan no Facebook tudo me leva a crer - o conselho que eu daria a mim se eu estivesse há quarenta anos, “com certeza conversaria com o Deus que reside em meu coração  e pediria que me deixasse ser eterno na década de 70”. 
Apesar da truculência, dos engarrafamentos causados pelas obras do Metrô, tudo mais de ruim que poderia existir, os meus vinte e poucos anos foram sublimes e o Brasil teve seu período mais fértil, culturalmente falando.
Amigo Juan, eu agradeço pela dica neste insight, JP será que respondo a sua pergunta?


Dário Omanguin
29/Jul/2012

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