Resto de mim mesmo
Hoje
sou puro sentimento
Tenho
chorado silenciosamente
De saudade, de ações de
cuidados
Das
alegrias por feitos maravilhosos
Não sei, mas há um vazio
Transformando meu estado
Vivo refletindo sobre
passado
Temeroso do futuro
Entretanto no presente
Nem penso, sigo adiante
Muitas vezes com os olhos
lacrimejantes
O
marejo dos meus olhos embaçados
Não me permite enxergar o
hoje
Tudo
está adiante, com um futuro incerto
Todo passado, em registro,
é saudoso
Contudo
não me entrego
Na certeza que minhas
dores são mínimas
Olhando
ao redor vejo situações piores
Contento-me, mas fico
alarmado
Por
que será esta agonia
Pergunto-me, mas a
resposta não vem
Resta-me ser resto de mim
mesmo.
Dário
Omanguin
17/08/2012
Hoje, em 31/07/2011, pesquisando o Facebook achei o
perfil da minha afilhada Ana Paula, fique muito contente e fiz um registro no
seu mural com o texto abaixo, espero que ela receba com carinho a minha
expressão de afeto.
Minha afilhada
O tempo passou
Poucas são as lembranças
Mas ficou a imagem de você criança
Memórias da menina sapeca também ficaram.
Mas não a vi crescer, sem fotos recentes
E nem msm para palavras de carinho
Contudo na minha mesa de trabalho
Em um porta-retrato, tenho você bêbê.
Lembrança singela do seu um aninho
Foi uma forma de tê-la por perto
Com demonstração de afeto e carinho.
Do seu padrinho, pode ser mentirinha
Então, vou comprovar com o versinho,
Que estampado na foto, passo a limpo
" Com apenas um aninho
vejam como sou fofinha.
Mas esperem um pouquinho
pra ver quando eu for mocinha"
Ana Paula – 06/09/1986
Dário Omanguin
31/07/2011
Que conselho eu me daria a trinta anos?
Hoje, 29 de julho de 2012,
começo fazer um ensaio com as palavras, juntando letras, para colocar as idéias
no papel e relatar uns fatos corriqueiros. No dia 17 deste mês estive almoçando
no Leblon com amigos Juan Cuencas e João
Paulo, seu filho.
Alguns dias atrás já vinham
com esse pensamento, isso porque, durante o almoço, João Paulo nos fez a
seguinte pergunta “Qual conselho nós daríamos a nós mesmo há trinta anos”.
Achei a pergunta sem nexo já que não a entendi, mas o João nos explicou que
estava fazendo um trabalho com esse teor. Todavia, não respondemos, pois almoço
de amigos as conversas se entrelaçam e mudamos de assunto a cada palavra
proferida.
Abro este parêntese, para dar
um sentido ao texto que pretendo escrever, O mais engraçado é que fiquei
matutando a pergunta do João Paulo e me projetei para os anos 80 e percebi que
já era um homem casado e pai de filho em processo de separação. O Brasil
encarava o mundo com uma moratória, a política estava uma merda... A morte de
Trancredo Neves colocou um dos mentores da ditadura na presidência da república
do Brasil e a história registra os anos oitenta como a “Década Perdida”.
De posse desses dados,
comecei a repensar como eu poderia “ me dar conselhos” há trinta anos. Com uma estória tão ruim, achei melhor
avançar no túnel do tempo e pisar em terra dos anos setenta, maravilha de
idéia, ano “mui rico” como diria meus amigos argentinos.
Com esse pensamento firmado,
mas não ainda havia me postado frente ao meu computador para iniciar este
texto. Quando, hoje, vejo no Facebook, postado ontem pelo Juan Cuencas um
recorte do Jornal O Globo contando feitos dele em 1973. Deu-se, então, uma
fusão perfeita com as minhas idéias de escrever sobre o tema abordado pelo João
Paulo.
Tenho saudades da década de
setenta, o mundo transcorria com grandes transformações em todos os campos, era
a afirmação da ditadura no Brasil, mas essa forma de governo deu consciência a
vários brasileiros e todos os movimentos culturais foram sedimentados e valores
humanos foram elevados como resistências políticas. Alguns redutos nos grandes
centros ficaram marcados.
A plebe promovia encontros
boêmios nas noites da contra cultura e beber para protestar o “establishiment”,
reconhecido poder dos norte-americanos na política da época.
Eu estudava e trabalhava na
extinta TV Tupi. Fiz pré-vestibular no Curso Status e em julho de 1972
ingressava na Faculdade de Comunicação Social Hélio Alonso, na Praia de
Botafogo, onde convivi com muitos alunos, moradores da zona sul, e freqüentava
a noite carioca.
O Teatro Opinião era reduto
de resistência com seus shows antológicos, os botecos da Rua Siqueira Campos, o
mais famoso era a Adega Perola, e o Restaurante Acapulco no Av. Atlântica,
reduto de artista em inicio de carreira, existia também os bares da calçada do
Cinema Ópera na Praia de Botafogo. Fora outros que não os cito para não cometer
maiores omissões, a Lapa era centro de malandros e cabarés, só veio emergir na
década de 90.
Tudo isso é um filme que me
passa pela cabeça. Lendo o “post” do Juan no Facebook tudo me leva a crer - o
conselho que eu daria a mim se eu estivesse há quarenta anos, “com certeza
conversaria com o Deus que reside em meu coração e pediria que me deixasse ser eterno na
década de 70”.
Apesar da truculência, dos
engarrafamentos causados pelas obras do Metrô, tudo mais de ruim que poderia
existir, os meus vinte e poucos anos foram sublimes e o Brasil teve seu período
mais fértil, culturalmente falando.
Amigo Juan, eu agradeço pela
dica neste insight, JP será que respondo a sua pergunta?
Dário Omanguin
29/Jul/2012
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