Pela
manhã de ontem, um pouco antes das 11 horas, a rádio CBN informou a queda de
uma aeronave em Santos - SP. Estava voltando para casa quando ouvi a notícia
pelo rádio. Não havia informações concretas pela Aeronáutica. Ao chegar em
casa, liguei a TV para ver o jornal local, quando ouvi detalhes do acidente com
a aeronave. Realmente fiquei chocado com
as mortes e principalmente a morte de Eduardo Campos, que era um bom contra ponto nesta corrida eleitoral.
Ouvi
e vi quase todos os jornais durante a tarde, pois a TV aproveitou a desgraça
alheia para faturar... Como sempre!
Entretanto,
o que mais me atormenta, neste fato, foi a insistência dos repórteres em querer
saber dos entrevistados quais seriam a pessoa que irá substituir o candidato
morto.
Por
elegância e respeito, cientistas políticos e analistas políticos se declinavam
em responder essas perguntas descabidas. E, não eram repórteres novatos,
âncoras famosos como o Heródoto Barbeiro que é um profissional
ilibado e experiente também nos deu essa amargura televisiva.
Falta
de respeito foi o que não faltou nestas 13
horas de notícias fúnebres.
Fui
estudante de jornalismo, mas por opção profissional e imposição de Pareceres do
CFE e por Resoluções do MEC para o
ensino superior naquela época, me
formei em Publicidade e Propaganda.
Durante
este quase 40 anos de formado e muita leitura de impressos noticiosos, ouvinte
e telespectador dos aparelhos da radiodifusão, fica muito claro em minha
consciência que o jornalismo vem perdendo seu valor, o respeito pelo fato. De
modo que a veracidade da informação está ficando comprometido pela necessidade
de levar a primeira mão a notícia aos interessados sem ser apurados os dados e
suas fontes.
VIEIRA, R. A. Amaral, autor de livros
sobre Comunicação Social fez as seguintes observações, em 1978, sobre o modelo
do ensino na formação de profissionais:
“... uma mesma sala de aula preparava, e prepara, um jornalista, um publicitário, um relações-públicas, sendo dada a todos a mesma formação teórica, isto é, uma informação alienante; a todos se transferiam e transferem, em bloco, técnicas europeias e norte-americanas, notadamente norte-americanas, sem nenhum comprometimento com a realidade brasileira, e sem que ao aluno, futuro comunicador social, fossem dadas condições de proceder, ele mesmo, a essa redução.”
“... uma mesma sala de aula preparava, e prepara, um jornalista, um publicitário, um relações-públicas, sendo dada a todos a mesma formação teórica, isto é, uma informação alienante; a todos se transferiam e transferem, em bloco, técnicas europeias e norte-americanas, notadamente norte-americanas, sem nenhum comprometimento com a realidade brasileira, e sem que ao aluno, futuro comunicador social, fossem dadas condições de proceder, ele mesmo, a essa redução.”
Ao
meu ver, o noticiar passa por um processo "frio" para atingir o
objetivo de informar. Os veículos de comunicação de massa não primam pelo
"furo jornalístico", preferem a compra de noticias de agências
provedoras, cujo texto já vem pronto, sem a essência e a personalidade do
autor. E, assim, cria-se a notícia imediatista e um jornalista/repórter sem
personalidade e sem a cultura necessária para transformar um fato doloroso em
uma notícia com conteúdo informativo e sem o sensacionalismo indesejável.
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