quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A queda do jornalismo, análogo ao acidente que matou os tripulantes do CESSNA

Morre o Candidato!

Pela manhã de ontem, um pouco antes das 11 horas, a rádio CBN informou a queda de uma aeronave em Santos - SP. Estava voltando para casa quando ouvi a notícia pelo rádio. Não havia informações concretas pela Aeronáutica. Ao chegar em casa, liguei a TV para ver o jornal local, quando ouvi detalhes do acidente com a aeronave.  Realmente fiquei chocado com as mortes e principalmente a morte de Eduardo Campos, que era um bom contra ponto nesta corrida eleitoral.
Ouvi e vi quase todos os jornais durante a tarde, pois a TV aproveitou a desgraça alheia para faturar... Como sempre!
Entretanto, o que mais me atormenta, neste fato, foi a insistência dos repórteres em querer saber dos entrevistados quais seriam a pessoa que irá substituir o candidato morto.
Por elegância e respeito, cientistas políticos e analistas políticos se declinavam em responder essas perguntas descabidas. E, não eram repórteres novatos, âncoras famosos como o Heródoto Barbeiro que é um profissional ilibado e experiente também nos deu essa amargura televisiva.
Falta de respeito foi o que não faltou  nestas 13 horas de notícias fúnebres.

Fui estudante de jornalismo, mas por opção profissional e imposição de Pareceres do CFE e por Resoluções do MEC para o  ensino superior naquela época,  me formei em Publicidade e Propaganda.
Durante este quase 40 anos de formado e muita leitura de impressos noticiosos, ouvinte e telespectador dos aparelhos da radiodifusão, fica muito claro em minha consciência que o jornalismo vem perdendo seu valor, o respeito pelo fato. De modo que a veracidade da informação está ficando comprometido pela necessidade de levar a primeira mão a notícia aos interessados sem ser apurados os dados e suas fontes.

VIEIRA, R. A. Amaral, autor de livros sobre Comunicação Social fez as seguintes observações, em 1978, sobre o modelo do ensino na formação de profissionais:
 “... uma mesma sala de aula preparava, e prepara, um jornalista, um publicitário, um relações-públicas, sendo dada a todos a mesma formação teórica, isto é, uma informação alienante; a todos se transferiam e transferem, em bloco, técnicas europeias e norte-americanas, notadamente norte-americanas, sem nenhum comprometimento com a realidade brasileira, e sem que ao aluno, futuro comunicador social, fossem dadas condições de proceder, ele mesmo, a essa redução.”


Ao meu ver, o noticiar passa por um processo "frio" para atingir o objetivo de informar. Os veículos de comunicação de massa não primam pelo "furo jornalístico", preferem a compra de noticias de agências provedoras, cujo texto já vem pronto, sem a essência e a personalidade do autor. E, assim, cria-se a notícia imediatista e um jornalista/repórter sem personalidade e sem a cultura necessária para transformar um fato doloroso em uma notícia com conteúdo informativo e sem o sensacionalismo indesejável.

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