Aos Mestres, o meu carinho e tudo mais de bom!
Quinze do outubro, um dia como outro qualquer no calendário,
já passei por sessenta datas dessas. Tudo tão igual como as águas dos oceanos,
que nas praias vão e vêm, ora calmas ora agitadas. Nos dia de hoje, tudo está
em turbilhão, mas mesmo assim acordo com uma lembrança familiar. Dia dos
Mestres! Data de abraçar a professorinha, lá do “be a ba” aos mestres da
universidade, saudades da professora
Georgete da Escola Pública Irmã Zélia lá no Rio de Janeiro, ainda Distrito
Federal, Capital da República Federativa do Brasil. Lá se vão os bons tempos,
escola com merenda, dentistas, inspeção de higiene e uniforme até caixa escolar
– recurso financeiro doado pelos pais de alunos mais aquinhoado para ajudar no
uniforme e no material escolar dos mais necessitados, escola democrática... Cantávamos
enfileirados os hinos históricos da nossa nação.
Meu ajudante de tarefas do quintal, Dinho, aluno especial da
Pestallozzi de Jacaraípe, chegou cedinho, dizendo que era Dia do Fessor! Ele
fala com dificuldade, devido seu atraso mental, não foi à escola, feriado
escolar. Tive que sair e não dei muita atenção a ele.
Mas fiquei matutando enquanto dirigia, refletindo sobre a
situação das escolas, dos alunos e também dos professores nos dias atuais. Que danação!
Não queria estar na pele dessas três instituições tão importantes para uma
civilização.
Antigamente, esta data representava a adoração a uma classe
dedicada ao ensinamento e a formação do caráter dos alunos em qualquer nível do
ensino, público ou privado. Professor era aquele que ao aluno não era muito simpático,
Mestre, sim, o professor adorado, o iluminado que sabia tudo e ainda entendia
os alunos. Porém nenhum deles gostava dessa expressão.
O tempo foi passando, as escolas deteriorando, o aluno
deixando de seguir uma disciplina escolar, por conseguinte, uma pessoa mal
formada, em maioria das vezes. O mestre deixou de existir, professor virou tio,
tia, e hoje é “PRO” ou ma melhor das hipóteses “FESSOR(A)”. O aluno, um coitado,
quando tem família, sem família um mau caráter, salvando raras exceções!
As instituições de ensino, com seus alunos, como a sociedade
de um modo geral estão falidas.
É preciso ter força... É preciso ter garra para atuar como
professor e também para ser bom aluno. No meio desses, proliferam àqueles que denigrem
e depreciam a função sacerdotal do professor e praticam agressões àqueles que
buscam no ensino a formação do caráter e do ser profissional, que, um dia, por
paixão e esquecimento do passado, cursará uma escola para seguir a carreira de
professor!
A esses, minha estima! A minha lembrança da Professora
Palmira, que aos oitenta anos ainda ensinava canto orfeônico no ginásio, ao
professor Barbosa, um mulato que se formou em professor de música aos cinqüenta
e quatro anos de idade e comia a sua marmitinha no intervalo, dizia ele que a sua
saúde não o deixava almoçar o “PF” do botequim ao lado do colégio, mas acho que
a grana é que era curta!
E a todos, inclusive, àquele, que no período mais duro da
ditadura militar, chamado “anos de chumbo” enquanto eu cursava a faculdade de
Comunicação Social, dedurava-nos ao serviço de informação do governo imposto.
Este? Sim, porque, indiretamente, me ensinou a escolher pela liberdade de
expressão, pela democracia, de meus atos respeitosos com relação aos demais,
coisa que ele não respeitava ao ponto de eu optar pela transferência para a Universidade
Gama Filho. Nesta época convivi com vários artifícios da censura federal, pois
trabalhava em empresas jornalísticas e radiodifusão. E não me permiti fazer
concurso público para Censor Federal, já que com a conclusão da Universidade
estava habilitado para tal. Censura nunca mais!
Alunos de hoje, não os invejo. Nesta data, se aluno fosse,
encararia o dia como um feriado, dia de vagabundear, ficar a toa, deixar os
livros de lado, esquecer aquela figura chata do professor.
Mas como sou das antigas! Aos Mestres, com carinho; aos professores,
mais carinho ainda; a Professora Georgete, que hoje se viva, já passou dos
oitenta, minhas desculpas e meu choro de alegria por existir em minha vida.
Agora... Àqueles que cursam o mestrado junto com a graduação,
porque tem grana e pressa na formação, meu total desprezo!
Ser mestre é concorrer coma vida, buscar experiências para
transformar em ensinamentos e formar cidadãos. Ser mestre é ser regente de uma
turma inquieta, curiosa e esporrenta com se dizia na minha época de aluno. Porém, ser abraçados por todos e lembrado a cada
quinze de outubro.
Dário Omanguin
15/Out/2012
Lindo texto meu irmão,posso ainda citar mais algumas professoras do Brigadeiro Schorcht, em Jacarepaguá, no nosso início administrado pela grande professora Henriette Amado, que depois fez furor no André Maurois no Leblon, reformulando toda a administração de um colégio estadual. Depois vieram outros que conseguiram manter o padrão que ela conseguiu, professoras de História com a Elza (sua e minha) e a Nair Paúra (minha), como a Regina (professora do nosso irmão Marcos), depois coordenadora, negra numa época que ainda eram poucos os que se atreviam a ser mais do que lhes permitiam, ainda viva, morando em Jacarepaguá, avó de um colega de turma de sua filha Ana Carolina, amiga da sogra da sobrinha Thayssa,também professora de lá, mas aluna como nós na época. Professores que não só ensinavam História Geral, mas também Sociologia, Filosofia, tudo o que era necessário para nos ajudar a ser melhores cidadãos, mesmo na ditadura. De vez em quando um sumia, ninguém sabia para onde fora, depois de muitos anos pude reconhecer alguns nomes nas listas de perseguidos pelo sistema. Por não me reconhecer com tanta dedicação na época em que me graduei em Letras e sabedora das dificuldades financeiras, optei rapidamente por trabalhar em uma multinacional, mas nunca deixei de reverenciar quem de fato me ensinou francês, Maria Inez que levava todos os objetos para sala de aula para que os alunos assimilassem melhor o que falava em francês. Ou inglês, como a Mrs. Wolchan, esposa de um diplomata americano, muito rica para os padrões da época, que nos conduzia pelo mundo da literatura bem como no seu Camaro branco com forro de couro vermelho para pegar algumas doações dos comerciantes locais para a festa junina da escola, todo mundo sujo e morrendo de medo de sujar o carro dela e ela nem ligava. Com elas desenvolvi o gosto pelas línguas estrangeiras e passei direto para o quarto ano na Aliança Francesa e Cultura Inglesa, tudo isso com o ensino de uma escola pública ! Gente que era gente e sabia como nos ajudar a ser gente grande, com objetivos e sonhos que podiam ser realizados, bastava para isso se aplicar e levar a sério quando necessário. A eles e elas, vivos ou já falecidos, meus agradecimentos e a você o meu obrigada por me fazer lembrar desses momentos muito felizes de minha vida.
ResponderExcluirÓtimas lembranças, pena que o tempo passou rápido, como a letra de Chico Buarque, e só Carolina não viu!
ResponderExcluirMas fica um registro pequeno do meu tempo anterior a Jacarépaguá, pois é preciso fazê-lo para quando eu puder montar a minha estória não seja necessário recorrer ao fundo da memória.
Jacarepaguá, foi um divisor de águas na minha vida, você não sabe o quanto eu agradeço aos meus pais pela opçao de morar em Curicica, apesar da distância e do choro da Vó Lourdes, a mudança para o colégio Artes e Instrução e depois ao Brigadeiro me colocou em novas relações que balisaram a minha conduta e me colocou no centro de pessoas com niveis sócio-culturais elevados independentes de serem pobres ou ricos.
A esses colegas agradeço a iniciação no desenho, base da minha profissão, só para citar, o ingresso no SENAI e na TV TUPI. A agradeço o carinho da resposta e o contexto, faço uma correção, Mrs.Wolchan, era rica mas muito simples, foi também minha professora, toda gramática, rsrsrs - que sei agradeço a ela, o Camaro não era dela, era da bibliotecária, muito chic e morava no Leblon, o nome dela senão me falha a memória é Ligia. Procure lembrar pois precisarei deste nome para a próxima etapa.
A Profª. Regina, econtrei diversas vezes na escola da Carolina, tb foi minha professora.
Seu texto está muito bom a narrativa é ótima procure escrever mais!