domingo, 6 de abril de 2014

Hoje o céu está tão lindo!



Morre aos 67 anos o ator José Wilker, Conheci-o numa mesa de bar... Fazem 42 anos. Saindo do cinema Ópera na praia de Botafogo, onde hoje está a Casa e Vídeo, saía da Faculdade de Comunicação – FACHA para ir ao cinema e, na maioria das vezes era para beber "uns chopps" na mesa do bar. Tempos da contracultura, do “underground”, de movimentos culturais contra a ditadura. “Papo cabeça” em noites estreladas, pelos astros físicos e por cabeças maravilhosas como a cabeça de ex-aluno de sociologia da PUC, curso abandonado e trocado pelo teatro, como o Wilker foi...

Meses antes ele entrara na TV Globo, e eu na TV Tupi, ele atuando na Novela de Dias Gomes, Bandeira 2, no personagem Zelito, filho do Bicheiro Turcão, vivido pelo grande Paulo Gracindo. E, eu, na TV era desenhista. Não fizemos amizades, papo rápido, em comum só tínhamos os cabelos compridos e uma bolsa “tira a colo”. A minha eu mesmo fiz, eu era artesão e trabalhava com couro. A longo dos tempos o Wilker, se tornou, esse artista maravilhoso, atuando, escrevendo ou dirigindo, foi mestre na arte.

Segui minha vida. Cheguei trabalhar para a TV Globo, convidado pelo Diretor de Artes e artista plástico paulista, Ciro Del Nero, que faleceu em 2013. Como arte finalista, auxiliei-o num empreendimento do Markenting da TV Globo para vender a Novela Selva de Pedra para o México, e, ainda, trabalhamos junto na cenografia para Regina Duarte, com apresentação no Canecão em 1972 e neste mesmo ano trabalhamos o brinde de final de ano para a Globo. Ciro Del Nero foi Diretor de Artes na extinta TV Tupi. Uma Perda pela sua expressividade na cultura e na história das artes. Assim como José Wilker, duas estrelas no céu... Com certeza!

Traço este paralelo com vida do Wilker pelas nossas origens humildes e pela luta. Através do estudo e de critérios profissionais galgamos patamares superiores. Dele, nem preciso, falar, basta lembrar do personagem Mundinho Falcão em "Gabriela".

Em janeiro de 1996, como consultor em gestão empresarial, cheguei, novamente, na TV Globo, desta vez, fui para o PROJAC, através de um contrato pela IT – Cia Internacional de Tecnologia, para organizar e documentar os processos da “fabrica de novelas”. Ali, convivi com vários atores, mas não fazia tietagem e o relacionamento profissional exigia-me ser reservado. Algumas vezes, no restaurante do Projac, via o José Wilker, e me lembrava daquela figura de cabelos ralos e cumprido que eu havia conhecido na mesa de um bar.

Haviam se passado uns 25 anos, ele no auge do estrelato e eu, inaugurando uma nova fase da minha vida profissional, havia saltado mais um degrau. Contratado com Consultor, mas eu me sentia ainda uma Analista de Organização e Métodos Senior, como até gosto de me apresentar. Não gosto deste estrelismo na minha profissão. Mas o estrelato de Wilker foi mérito da sua capacidade e técnica profissional.

Continuarei nesta escalada profissional, enquanto uma estrela sob aos céus.

Homenageio-o, relembrando uma frase da música de Cassiano e cantada por Tim Maia – "Primavera (Vai Chuva)", onde ele diz “ Hoje o céu está tão lindo”!

Dário Omanguin
06/04/2014 – 20:41

Um comentário:

  1. Bela interpretação do Wilker, assim morre as estrelas... em explosões e com brilho intenso.

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